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Agrupamentos elegem

chefes ou líderes?

Estão em fase de conclusão os procedimentos concursais, definidos pela Portaria n.º 604/2008, visando a eleição, pelos Conselhos Gerais (CG’s), do Directores de Agrupamentos de Escolas, no respeito pelo preceituado no Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de Abril, que aprovou o regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos de educação pré-escolar, dos ensinos básico e secundário.
Esta legislação surgiu porque “o programa do XVII Governo Constitucional identificou a necessidade de revisão do regime jurídico da autonomia, administração e gestão das escolas no sentido do reforço da participação das famílias e comunidades na direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino e no favorecimento da constituição de lideranças fortes.” (SIC) Em abono da verdade, este enunciação de propósitos, por ser vincadamente genérica, será amplamente consensual. Ainda assim, o início da sua implementação – que ora está se testemunhada – abriu já um leque de interrogações que ameaçam transformar-se em sérias e fundadas apreensões.
Numa primeira apreciação genérica, cumprirá reconhecer dois méritos do novo regime: o princípio da limitação de mandatos (que poderia e deveria ter sido mais ambicioso) e a possibilidade de a tutela poder, a qualquer momento, demitir quem provar não reunir condições para continuar da Direcção dos Agrupamentos – algo que até agora não se verificava.
Confesso que as minhas preocupações começaram logo no momento da promulgação da legislação atrás citada quando, cumulativamente, se afiança, em jeito de (fraca) garantia acrescida, que “o Governo promoveu ainda a alteração do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, no sentido de dotar cada estabelecimento de ensino público de um corpo de docentes reconhecido, com mais experiência, mais autoridade e mais formação, que assegure em permanência funções de maior responsabilidade.” (SIC) Bem, nada poderia ser mais controverso. Nem sempre a experiência, enquanto valor bruto, é sinónimo de inovação, dinamismo e maior comprometimento com o serviço público de Educação como também o facto de ter mais formação signifique automaticamente ter usufruído de melhor formação, escolhida e frequentada de acordo com as necessidades (previamente identificadas pelos respectivos Projectos Educativos) de cada comunidade educativa.
De igual modo, receio que a questão de “mais autoridade” se preste a interpretações perversas que suportem actuações ao arrepio de quem está obrigado a “observar no exercício das suas funções os valores fundamentais e princípios da actividade administrativa consagrados na Constituição e na lei, designadamente os da legalidade, justiça e imparcialidade, competência, responsabilidade, proporcionalidade, transparência e boa fé.” (SIC)
O ambiente que a escola pública hoje experimenta acentuará uma degradação relacional generalizada, com inquietantes níveis de conflituosidade. No momento, por culpa própria ou sem ela, ser PROFESSOR é, cada vez mais, um exercício de sobrevivência centrado na preservação da sanidade mental (individual e colectiva). A este propósito, teme-se que, apesar de elevado número de diplomados, muitos docentes – e aí estão os mais recentes dados do INE para o indiciar com segurança – muitos profissionais, de inquestionáveis méritos, abandonem o sector por não estarem para suportar tamanhas violências.
Com efeito, os CG’s, que foram inicialmente transitórios, terão sido, em muitos casos, eleitos com angustiante leviandade em resultado de tertúlias de café pouco ou nada representativas. O certo é que o Conselho Geral, enquanto “órgão de direcção estratégica responsável pela definição das linhas orientadoras da actividade da escola, assegurando” supostamente “a participação e representação da comunidade educativa” estão, apesar do carácter transitório, a eleger Directores/as sem antes terem fomentado a participação entre os seus representados, agindo quase por sua conta e risco, como se de uma escolha empática se tratasse. Até parece haver casos de vitórias cozinhadas na “secretaria”, patrocinadas por quem nunca soube tolerar a diferença por se achar há muito intocável ou inimputável. Exige-se por isso a monitorização fiscalizadora de todas as Direcções Regionais de Educação sob pena de se homologarem ilegalidades grosseiras.
No mais, eleger um Director pressupõe ser capaz de perceber que terá de identificar um perfil específico de líder. Ou seja, nem todos os professores reúnem as condições para serem líderes. O Director terá que ser uma pessoa com conhecimentos especializados, com enorme sensibilidade, com capacidade analítica e de comunicação empática, com experiência de ensino e elevada responsabilidade social. Terá que ser um profissional que sabe prestar atenção, sabe escutar, sabe clarificar, sabe encorajar e ajudar a encontrar soluções, sabe dar opiniões, e que sabe ainda negociar, orientar, estabelecer critérios e assumir todo o risco das consequências da sua acção.
Como estão as coisas, mais parece que o Director virá para ser uma versão musculada do ”quero, posso e mando” que poderá muito bem ser o desastre de uns quantos impreparados e a desgraça de muitas vítimas inocentes.
José Manuel Alho

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 Ao telefone com o Zé Povinho

Para o visitante mais atento, é sabido que tenho, neste espaço livre, apostado em denunciar o estado miserável, e até de esquecimento depreciativo, a que há anos tem sito votada a zona da Nossa Senhora do Socorro. Neste particular, e a título vincadamente excepcional, vou prescindir da habitual contundência a fim evitar empachamentos absolutamente contraproducentes. Com uma ironia porventura graciosa, preterindo um estilo fátuo, tenho procurado estimular os responsáveis políticos a pensar a referida área de modo a reabilitá-la, optimizando, com carácter de urgência, os seus invulgares predicados em favor da colectividade. Enfim, tiques de cidadania…
Num destes dias de caminhada solitária, decidi atravessar a passadeira para peões - que agora se encontra pintada - localizada no cruzamento junto à imagem em preito a S. Judas Tadeu. Estava eu só quando olho, no alvor do verde semafórico, para o meu lado direito e vejo um telefone com teclado incorporado. Espanto cerífero seguido de perplexidade. Imobilizado pelo insólito, pensei:”Eh pá! O pessoal está mesmo a levar a sério isto da aposta na Senhora do Socorro!! Até um telefone instalaram numa passadeira para peões! Viva o luxo…”
Achando depois poder ser “fruta a mais” ou tratar-se de uma situação de apanhados para a TV, olhei em redor. Nada de suspeito. Nem uma ranhura para as moedinhas! Uau!! A medo, cacei o telefone com fios. Não me parecia armadilhado. Antrax nem vê-lo. Apenas uma ligeira fragância a tinto martelado. Enchi-me de “córage” e teclei. Do outro lado, alguém prevenia: “Se que falar com a Maya sobre o futuro do SLB, marque 1; se quer saber quem pertence à Irmandade "FLORES do Anti-Cristo", marque 2; se quer descobrir as sedes dos próximos sindicatos de professores a serem visitadas pela PSP, marque 3; se quer saber ser possível entrevistar José Sócrates, marque 4; se quer ouvir uma voz sadomasoquista de Espinho falar sobre sexo, marque 5; se quer perceber por que Mário Rui foi excluído do Concurso a Director do Agrupamento do Pinheiro da Bemposta, marque 6; se quer entender o namoro de Diana Chaves com César Peixoto, marque 7; se quer saber a próxima chave do EuroMilhões… serviço indisponível; se quer falar com o Zé Povinho, marque 9.”
Marquei, claro… como adivinhou?! Pois é, marquei o… 9. Tratou-se de uma experiência quase que metafísica, a roçar o convívio com o oculto, num diálogo transcendental que a seguir transcrevo. Eu, o Zézinho, em amena cavaqueira com essa grande e incontornável referência civilizacional, que é o Zé Povinho – ZP para os amigos.
- Nunca pensei estar a falar consigo, muito menos ao telefone, entre um semáforo e uma passadeira…
ZP – Faz tudo parte do choque tecnológico. Temos que acompanhar esta gente. Mas fala, porque estou a gramar um frio do caraças neste “CallCenter” que nem imaginas!
 - Bem, eu queria – e tenho feito por isso – que a zona da Senhora do Socorro fosse tratada com respeito. Tivesse uma estrada para carros e não um caminho de bois; espaços verdes; ciclovias; bancos para os caminhantes peregrinos e que as construções decorressem dentro dos horários permitidos por Lei, evitando poeiras e lamas para os residentes…
ZP – Pára, seu ignorante! Mas tu pensas que os políticos não têm que fazer?! E as reuniões, as viagens a sítios recônditos, as secretárias para aturar e os congressos do partido que servem de acto penitencial. Pára e pensa bem no que pedes, seu iletrado de meia-tigela!!
- Quer dizer… eu acho que a cidadania se faz, por exemplo, exigindo o respeito pela Lei…
ZP – Seu tonto. A Lei, a Lei, sempre a Lei! A Lei é para os burros lerem e os espertos interpretarem. Já fui como tu, pá! Tens muito que aprender.
- Ai sim? Então como posso ficar mais… “esperto”?
ZP – Primeiro, fala bem deles. Depois, aproxima-te deles. A seguir come com eles. Se atingires a fase do “bebe com eles”, já não precisarás de invocar a Lei. A partir daí, é sempre a aviar!!
- Parece fácil. Afinal, as coisas até podem ser mais simples do que pensamos…
ZP – E digo-te já. A “descascar” como “descascas”, vais ter muito que penar. Este pessoal tem memória de elefante. Sinceramente, andou esta gente na escola e nem “escovar” sabe!...
- Bem, tenho de desligar por que há alguém atrás de mim para marcar o 6. Foi um prazer. Um abraço ZP!
ZP – Vai lá rapaz! Eu por acaso tenho de ir à casinha pois impingi um verde tinto ao Chefe de Secção para me dar uma cadeira recostável, mas pelos vistos teve um efeito estranho. Já nos cruzámos hoje e o homem estava mesmo com a tripa revirada…
Se ele chegou à fase do “bebe com eles” como é que ele não conseguiu a cadeira recostável?! Se calhar, até o Zé Povinho se lixa!
Mas isto é só o Zé a falar…
José Manuel Alho

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Organizado pelo Grupo Folclórico e Cultural de Albergaria

por alho_politicamente_incorreto, em 20.05.09

 

XI Festival de Folclore “Primavera 2009”

No próximo dia 6 de Junho, pelas 21 horas, no palco exterior à sede social do Grupo Cultural, sita no popular bairro de Campinho, vai ter lugar a 11.ª edição do Festival de Folclore da Primavera, que contará com as participações, além da agremiação organizadora, dos ranchos folclóricos de Santa Maria de Moure (Barcelos) e de Provisende (Arouca).
Com efeito, os agrupamentos concentrar-se-ão previamente, pelas 18 horas, na casa do grupo anfitrião, seguindo-se um jantar-convívio onde também marcarão presença individualidades da vida local e outros dignitários oriundos dos mais diversos quadrantes.
Com os apoios institucionais da Câmara Municipal e Junta de Freguesia de Albergaria-a-Velha, O Grupo Folclórico Cultural e Recreativo, fundado em 1982, aproveita assim o ensejo para, no respeito pelo inserto no seu Plano Anual de Actividades, dinamizar a vida associativa do Concelho e abrir uma vez mais a sua invulgar sede à população, mormente à sua massa associativa. A este propósito, José Figueiredo, o presidente da Direcção, lembra “o carácter sistemático e continuado destas realizações que, apesar dos tempos de crise, ajudam a enriquecer a nossa acção cultural”.
Depois do êxito alcançado no Principado de Andorra – marco histórico que assinalou a primeira internacionalização deste grupo etnográfico – os responsáveis do Cultural centram esforços para o essencial da temporada folclórica, num Verão repleto de deslocações por todo o país nos mais renomados certames folclóricos. José Figueiredo, mais do que enfatizar que “a internacionalização em Andorra resultou de uma opção amadurecida e amplamente ponderada”, assegura “a necessidade de agora prosseguir a trabalho que tem elevado bem alto o nome de Albergaria” sem nunca “perder a ambição de, com empenho e imaginação, concretizar novos feitos”.
Na verdade, o Cultural – inscrito no INATEL, filiado na Federação do Folclore Português e na Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio – assumiu-se, por mérito próprio, como um dos grandes embaixadores da etnografia local e regional, evidência que tem motivado um corrupio de solicitações às quais não pode, “por imperativos de gestão”, corresponder como gostaria. Neste particular, continuam a pesar no orçamento deste arauto da cultura albergariense os encargos com transportes, tocata, manutenção de trajes e calçado, seguros, espólio museológico e demais obrigações com a sua sede social.
Por tudo isto, José Figueiredo, que continua a receber, pelos mais diversos canais, ecos tremendamente elogiosos pela participação no Festival Internacional de Folclore de Andorra, afiança que “apesar dos constrangimentos, cumpriremos, com aprumo, o nosso projecto em prol da divulgação dos usos e costumes da nossa terra”.
José Manuel Alho

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É meu dever. É minha obrigação.

Correndo o risco – ainda que meritoriamente suportável – de ser interpretado com vulgar indiferença, aqui estou a indignar-me com este país de pessoas tristes.
Num ano repleto de actos eleitorais, onde os desmandos desavergonhados de políticos e seus aparelhos já começaram a ditar cartas, cumpre (sempre) lembrar os mais fragilizados, aqueles que, não sendo doutores ou detentores de pomposo apelido, são usualmente espezinhados pelos concidadãos mandatados para curar do superior interesse colectivo.
Neste país até agora governado por sanguessugas ardilosamente inimputáveis - que fizeram escola sacralizando a máxima “o importante não é ser ministro. Importante é tê-lo sido…” - vemo-nos presentemente confrontados com o mais preocupante cenário de desgraça generalizada. Até se conhecerem os resultados das votações, tudo está (e continuará) camuflado sob efeito de analgésicos com termo certo. Pelo que se vai ouvindo e lendo, parece garantido que a situação será bem mais grave e complicada do que o alguma vez imaginado. Enquanto uns se vão entretendo com a “papa Maizena”, as “campanhas negras”, "as Marinhas Grandes de canto e esquina" e outros dislates terceiro-mundistas, uma minoria intelectualmente sã vai indagando: “e como vai ser em 2010? E em 2011?!”
Não creio que baste ressuscitar um “bloco” dito de “central”. É minha convicção de que entretanto teremos atingido a irreversibilidade de um governo de salvação nacional. Exagero? Pessimismo? Quem viver, verá.
Mas é com os mais vulneráveis que, como em cima afiancei, me desassossego. Apesar desta agenda política desgarrada da vida das pessoas, que decorre de uma galopante bolha ocultadora da realidade, existem milhões de portugueses atormentados pela ausência de saídas e oportunidades. Inquieta-me os que agora começaram a sua agonia no desemprego; dos que são atormentados pelo pensamento da sua família na miséria; dos que têm de renunciar aos seus projectos mais queridos para o futuro; dos doentes que gritam e choram de dor; dos que não podem curar-se por falta de meios; dos que têm de estar imóveis; dos que deviam estar deitados mas que a necessidade obriga a trabalhar; dos que buscam em vão na sua cama uma posição menos dolorosa; dos que passam noites intermináveis sem poder dormir, enfim, dos que se revoltam e maldizem a vida.
É por eles que escrevo pois não poderia ter meio e oportunidade mais nobres para, socorrendo-me da palavra escrita, ser conscientemente solidário. Sinto ser meu dever. É minha obrigação.
José Manuel Alho

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Olhem para o que eu digo...

por alho_politicamente_incorreto, em 08.05.09

 

 

"À mulher de César não basta ser séria.

Tem igualmente de parecê-lo." 

 

Para os mais cáusticos, a pouca vergonha continuará.

Desta feita, o visado será o renomado SILVA LOPES, com 77 anos de idade, que há bem pouco tempo defendeu o congelamento dos salários dos funcionários portugueses. Ex-Administrador do Montepio Geral, de onde terá saído recentemente com uma (alegada) indemnização de mais de 400.000 €uros, somada a outras que terá como ex-Governador do Banco de Portugal. Contudo, a vida não cessou de lhe dar bons motivos para sorrir. Ao que consta, logo que saiu do Montepio foi nomeado Administrador da EDP RENOVÁVEIS, empresa do Grupo EDP.

Com muitos críticos a apelidarem este novo desafio de "tacho dourado", esta eminente personalidade lá irá auferir umas centenas de milhar de €uros num emprego supostamente dado pelo actual elenco governativo. Tudo isto, atente-se, num país com 20% de pobres, onde o desemprego caminha para níveis assustadores e os salários da maioria dos portugueses estão cada vez mais ao nível da mera subsistência.

Silva Lopes, além de assumir como necessário o congelamento de salários, propôs igualmente o não aumento do salário minimo nacional, aparentemente por causa da competividade da economia portuguesa. Poderá assim ficar a impressão que estas medidas serão sempre inevitáveis para... os OUTROS. Faça-se tudo, é claro, mas sem "tocar no meu queijo"...
 
Quanto a Fernando Gomes, terá recebido em 2008, como administrador da GALP, mais de 4 milhões de €uros de remunerações. Acresce a isto um PPR de 90.000 euros anuais, para quando reunir os quesitos para se reformar. 

 

Sobre o primeiro caso, lembremos a notícia do "Correio da Manhã", de Abril passado, e também disponível em http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000011-0000-0000-0000-000000000011&contentid=C744F7CD-1BF4-4F54-AF4C-B59C0FAA69E3

 

 

 

 

14 Abril 2009 - 00h30

Banco pagou mais de dois milhões

e meio a administradores

Silva Lopes ganhou 410 mil por 4 meses no Montepio

»Silva Lopes, ex-administrador do Montepio Geral, recebeu em 2008, por quatro meses à frente da gestão do Montepio Geral e por gratificações do ano anterior, 410 mil euros.

Os dados revelados nos últimos relatórios daquela associação mutualista mostram ainda que António Tomás Correia, que substituiu Silva Lopes, recebeu 581 mil euros por oito meses na presidência do conselho de administração.

Os restantes administradores (Almeida Serra, Rui Amaral e Aduardo José Farinha) receberam, respectivamente, 543, 514 e 509 mil euros pelo ano em que exerceram funções.

Os dados dão conta de que, no total, o Montepio pagou mais de dois milhões e meio de euros aos quatro administradores pelo exercício no ano de 2008.» (SIC)

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Despacho n.º 9810/2009: subsídio mensal de residência de € 941,25!

por alho_politicamente_incorreto, em 07.05.09


Despacho n.º 9810/2009


»Considerando que, nos termos do disposto no Decreto -Lei n.º 331/88, de 27 de Setembro, pode ser atribuído um subsídio de residência aos titulares do cargo de director-geral e de outros expressamente equiparados, à data da nomeação no local onde se encontre sedeado o respectivo organismo;
Considerando que o Prof. Doutor José Alexandre da Rocha Ventura Silva, presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, lugar expressamente equiparado a director -geral, tem a sua residência permanente em Aveiro:
Assim, nos termos do disposto no artigo 2.º do Decreto -Lei n.º 331/88, de 27 de Setembro, determina -se o seguinte:
1 - É atribuído ao presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, Prof. Doutor José Alexandre da Rocha Ventura Silva, um subsídio mensal de residência no montante de € 941,25, a suportar pelo orçamento da Secretaria -Geral do Ministério da Educação e actualizável nos termos da portaria de revisão anual das tabelas de ajudas de custo.
2 - O presente despacho produz efeitos desde 1 de Novembro de 2008.



12 de Fevereiro de 2009. - O Ministro de Estado e das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos. - Pela Ministra da Educação, Jorge Miguel de Melo Viana Pedreira, Secretário de Estado Adjunto e da Educação.»


E os professores desterrados,

com família?
 

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Os heróis, as Vítimas

e os Outros

 
Ainda que existam casos que desafiem a lógica, condição e atributo necessariamente estruturantes, todos nós temos vida própria. Em função das circunstâncias, ninguém será, em rigor, bom nem mau. Seremos todos, principalmente, conforme. Por isso, a vida que nos vão impondo tende a desumanizar as relações, os afectos e as emoções. Tudo parece ou demasiadamente plástico ou inesperadamente animalesco. Daí que tudo pareça definir-se com estranha nitidez. Progressivamente, a esmagadora maioria das pessoas com quem nos vamos cruzando revelar-se-á excepcionalmente propensa a incluir-se numa seriação que não contempla mais de três categorias: os Heróis, as Vítimas e os Outros.
Os HERÓIS nasceram para serem notados. Ainda que elogio em boca própria configure vitupério, não regateiam a si mesmos rasgados encómios. Assumindo o risco de serem mal interpretados, fingem que não sabem o verdadeiro significado da presunção e da vaidade ocas. Consomem as suas programadas horas de solidão a perpetrarem sorrateiras estratégias que lhes garantam a atenção, desejavelmente sob a forma de admiração, dos que os rodeiam, gente convenientemente incauta, com pouca tarimba, que revela dificuldade em destrinçar um boi de uma vaca. Invariavelmente, estes “heróis”não se cansam de contar histórias que exaltam as suas singulares capacidades, reveladas em momentos de inimaginável tensão, onde são, mesmo que à força, a figura. Os seus relatos celebram a coragem, o altruísmo e a visão de um líder na verdadeira acepção do termo. Heróis solitários, cujos comparsas de aventura ninguém conhece – “estes” feitos heróicos pecam sempre por não terem testemunhas vivas ou contactáveis… – são as personagens que denunciam um trajecto de vida repleto de duplicidade(s), mentira, azelhice, inveja, sórdida avareza…
Sempre gostaram de parecer o que não são. Hão-de teimar sempre passar-se por aquilo que nunca chegarão a ser. Distinguem-se pela facilidade e frequência com que se contradizem. Só em desespero de causa, e depois de constatada a inexistência de melhor alternativa, que os empurram para a humilhação pura e dura, aceitam ser vítimas. Podem estar atolados em poços fecais que ainda assim serão sempre os últimos a reconhecê-lo.
As VÍTIMAS carregam o pesado fardo de uma herança genética caracterizada por incompreensíveis orientações. Para elas, o sofrimento estará longe de ser purificador. Em boa verdade, gostam, simplesmente, de sofrer. Sofrem em casa, com a família, no trabalho, no futebol e choram compulsivamente em salas de espera, repartições de finanças, secções de obras, mercearias e num qualquer gabinete bancário de concessão de crédito pessoal. Para elas, a vida é uma pena terrena que têm de cumprir para remissão do Mundo. À sua maneira, têm uma missão que lhes foi confiada. Interpretam, até às últimas consequências, a máxima popular “quem não chora, não mama”. Por comparação, e porque o seu estilo é menos fanfarrão, conseguem ser mais “espertas” que os HERÓIS. Mais ardilosas, alimentam, com sensata discrição, uma ambição pessoal que surpreende os incrédulos. Sobressaem pelo prazer intenso que experimentam quando sentem que delas têm pena. Em diferentes contextos, movem-se com assinalável eficácia não olhando a meios para atingir fins. Não se guiam por valores. Distinguem-se pelo elevado número de embalagens de lenços de papel com que iniciam o seu dia e pela simpatia que logo dispensam aos que, sem reservas, concluem:”é uma coitadinh(o)a!”
Os OUTROS comportam aquela gente simples, que, por mais que se esforce, não consegue ser o que não é. Usualmente genuínos, fazem por conciliar a ambição, natural e saudável, com o respeito pelos outros. Facilmente, são rotulados de “ranhosos”, “vilões” e “maus” por não se demitirem de pensar pela sua cabeça, mesmo que tal ousadia signifique contrariar maiorias há muito dominantes. Distinguem-se por serem difíceis de encontrar…
 
José Manuel Alho
 

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